KIA TELLURIDE 2027: Troca O Motor V6 Por Um Turbo Que Entrega Mais Torque No Dia A Dia

KIA TELLURIDE 2027 abandonou o V6 por um motor turbo mais ágil. Descubra como o torque extra mudou o SUV premiado. Confira os detalhes aqui!

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Quando um veículo conquista o prêmio 10Best da Car and Driver por seis anos consecutivos, qualquer mudança na fórmula vira aposta de alto risco. O Kia Telluride 2027 chega como segunda geração de um dos SUVs mais celebrados da última década, e a pergunta que ecoa entre entusiastas e famílias é simples: será que a sequência honra o original?

Por Que a Kia Arriscou Tudo no Motor Turbo

A decisão mais controversa da nova geração está sob o capô. A Kia abandonou o consagrado V6 3.8 litros de 291 cv em favor de um turbo 2.5 litros de quatro cilindros. A troca parece regressão numérica — são 17 cavalos a menos —, mas esconde uma jogada de torque que muda completamente o comportamento do SUV.

Com 311 lb-ft (421 Nm) de torque disponíveis desde 1.700 rpm, o novo propulsor entrega 49 lb-ft a mais que o antigo V6. Na prática, isso significa respostas imediatas no trânsito urbano e ultrapassagens mais seguras em estradas de uma faixa. O câmbio automático de oito velocidades, herdado da geração anterior, mantém a suavidade que os proprietários já conheciam.

Os números de desempenho, porém, contam uma história mais complexa. O Telluride 2027 AWD acelera de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos — 0,7 segundo mais lento que o modelo 2023 testado pela publicação americana. A culpa? O peso. Com 2.177 kg, a nova geração carrega 140 kg adicionais, consequência direta da plataforma maior e do reforço estrutural.

Curiosamente, o mesmo motor turbo no Hyundai Palisade 2026 — irmão mecânico do Telluride — foi substituído por um V6 3.5 de 287 cv que decepciona no torque. O resultado é uma diferença de performance gritante: o Palisade leva 8,0 segundos para atingir 100 km/h, enquanto o Kia se mantém mais ágil. Para quem busca um SUV familiar sem sacrificar o prazer de dirigir, essa divergência entre as marcas irmãs pode definir a escolha.

O Híbrido Que Promete Revolucionar a Categoria

A Kia reservou sua cartada mais ambiciosa para o topo da linha. O Telluride Hybrid 2027, ainda não testado pela imprensa especializada, promete 329 cv de potência combinada e consumo de 35 mpg (6,7 l/100km) na cidade — números que colocariam o SUV em território de sedãs compactos econômicos.

A expectativa em torno da versão híbrida é tamanha que já alimenta comparações com o Toyota Highlander 2027, outro gigante de três fileiras que aposta na eletrificação. A diferença de preço, porém, é substancial: o híbrido Kia custa US$ 2.700 a mais que a versão turbo, e não está disponível nos acabamentos de entrada.

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O Crescimento Que Divide Opiniões

A segunda geração do Telluride não aceita ser discreta. Com 5.060 mm de comprimento e 2.969 mm de entre-eixos, o SUV cresceu 58 mm no comprimento e 69 mm na distância entre eixos. Na estrada, essa expansão se traduz em presença dominante — alguns revisores detectaram inspirações no Range Rover na traseira e no Kia EV9 elétrico nas linhas laterais esculpidas.

O interior, porém, gerou debate entre os entusiastas da marca. O minimalismo inspirado no EV9 substituiu detalhes cromados e madeiras por superfícies lisas e controles simplificados. Acabamentos em microsuede nos níveis superiores mantêm a sofisticação, mas a configuração totalmente preta do veículo testado foi descrita como “austeridade de carvão” por um proprietário da primeira geração.

A ergonomia, felizmente, não sofreu com a obsessão pela tela. A Kia manteve botões físicos para funções essenciais — ar-condicionado, volume do áudio, atalhos de navegação — enquanto reposicionou a alavanca de câmbio para a coluna de direção. O resultado é um console central mais funcional, com dois carregadores sem fio e compartimentos de armazenamento em múltiplos níveis.

Tecnologia Que Entende o Motorista

O painel digital unificado domina o cockpit: duas telas de 12,3 polegadas — uma para instrumentos, outra para entretenimento — formam um conjunto visualmente imponente. A assistente de voz atualizada por IA reconhece comandos naturais, e novidades como streaming de vídeo e personalização com logos de times da NBA transformam o SUV em sala de estar móvel.

Entre os equipamentos de luxo disponíveis estão sistema de som Meridian de 14 alto-falantes, head-up display de 12 polegadas e massagem para o motorista nos bancos dianteiros climatizados. A terceira fileira, historicamente o calcanhar de Aquiles dos SUVs de três fileiras, ganhou assentos externos aquecidos — conforto antes reservado a minivans premium.

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Espaço e Praticidade: A Verdade Sobre o Porta-Malas

Aqui reside o “segredo” que o título promete. Apesar do crescimento externo, o porta-malas atrás da terceira fileira encolheu em um teste prático: cinco malas de tamanho padrão contra seis da geração anterior. A explicação está na inclinação do encosto traseiro, redesenhado para maior conforto dos passageiros.

A compensação vem quando os assentos são rebatidos. Com a terceira fileira abaixada, o novo Telluride aceita 19 malas — uma a mais que antes. Com tudo plano, são 39 unidades, três a mais que o modelo anterior. Para famílias que viajam leves no dia a dia mas carregam equipamentos em viagens, essa redistribuição do espaço faz sentido prático.

O espaço para passageiros melhorou em quase todas as métricas. Passageiros de 1,83 m cruzam as pernas confortavelmente na segunda fileira, e o acesso à terceira fileira foi facilitado por assentos que deslizam e inclinam com um toque. Apesar de ainda sentar-se próximo ao assoalho, a terceira fileira agora acomoda adultos sem claustrofobia.

Refinamento de Marcha Que Surpreende

A isolamento acústico recebeu atenção especial. A 66 decibéis a 113 km/h representam redução de um decibel em relação à geração anterior — número que parece modesto, mas se traduz em conversas mais relaxadas e fadiga reduzida em viagens longas. O zumbido característico do motor de quatro cilindros sob aceleração forte é o único lembrete da troca de arquitetura.

A suspensão, mesmo nas rodas de 21 polegadas do pacote X-Line, absorve irregularidades com compostura digna de SUVs alemães. A direção, agora com motor assistencial montado diretamente no rack em vez da coluna, ganhou precisão sem sacrificar leveza no estacionamento. Os freios, atualizados, pararam o SUV de 113 km/h em 51,8 metros — seis metros a menos que o modelo anterior.

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Preços e Versões: O Verdadeiro Teste de Fogo

A valorização do Telluride é inegável. O modelo de entrada LX com tração dianteira parte de US$ 40.735 — quase US$ 3.000 a mais que em 2025. No topo da linha, o X-Line SX Prestige AWD testado chega a US$ 56.435 antes de opcionais.

Para contexto, esse posicionamento de preço coloca o Telluride 2027 em território de Nissan Armada 2027 e Honda Pilot 2026 — rivais que também renovaram suas propostas recentemente. A diferença é que o Kia mantém a garantia de 10 anos ou 160.000 km, uma das mais generosas do mercado americano.

A ausência do híbrido nas versões de entrada é uma estratégia questionável. Famílias conscientes de consumo precisam desembolsar pelo menos US$ 50.000 para acessar a tecnologia, enquanto concorrentes como o Toyota Highlander oferecem hibridização mais democrática.

Telluride vs Palisade: A Guerra das Irmãs

Nunca as plataformas irmãs da Hyundai-Kia estiveram tão distintas. O Hyundai Palisade 2026 abraçou uma sofisticação quase Genesis em seus níveis superiores, com materiais premium e atmosfera de luxo discreto. O Telluride, por outro lado, cultivou uma estética mais robusta, com rodas de quatro raios em estilo off-road e linhas mais angulares.

A escolha entre os dois depende do perfil do comprador. Quem prioriza performance do motor base e apelo visual ousado encontrará no Telluride seu aliado. Quem busca refinamento interior e experiência de luxo mais contida pode se render ao charme do Palisade. A boa notícia é que ambos elevaram o patamar da categoria — o consumidor é quem sai ganhando.

O Telluride 2027 não é uma revolução. É uma evolução calculada que preserva os atributos que fizeram do original um sucesso — empacotamento inteligente, comportamento dinâmico refinado e execução geral impecável — enquanto moderniza onde era necessário. A troca do V6 pelo turbo pode gerar saudosismo inicial, mas o ganho de torque no dia a dia compensa a perda teórica de potência.

Para famílias que precisam de três fileiras sem abrir mão de prazer ao volante, o SUV coreano mantém seu lugar entre os melhores do mundo. A questão que resta é se o preço mais alto não abrirá espaço para concorrentes como o Mazda CX-5 2026 ou mesmo o Kia Carnival 2027 — a minivan com cara de SUV que oferece espaço superior por valor similar.

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